Energia solar perde fôlego e produção mundial deve cair pela 1ª vez em 20 anos, aponta Bloomberg

Relatório da BloombergNEF projeta retração de 14% nas instalações solares em 2026; analistas destacam que mudanças na China e nos EUA — as duas maiores economias do planeta — arrefecem demanda global e impactam cadeias produtivas.
Por Redação TransMeridional Web 16 de maio de 2026 | Atualizado às 17h21 Foto por: BloombergNEF/Divulgação
A indústria global de energia solar entra em uma nova fase. Pela primeira vez desde 2000, as instalações de novos projetos devem desacelerar em 2026, segundo relatório da BloombergNEF (BNEF).
O mundo deve adicionar 649 gigawatts de capacidade solar no próximo ano, volume ligeiramente inferior ao projetado para 2025. O crescimento mais fraco em sete anos sinaliza mudança de ciclo no setor.
China e EUA puxam desaceleração global
O recuo é influenciado por mudanças de política nas duas maiores economias do planeta. Na China, nova regulação de preços para renováveis provocou corrida por instalações no primeiro semestre e desaceleração acentuada depois.
A BNEF reduziu sua projeção de instalações na China em 2025 em 9%, para 372 gigawatts. Para 2026, a expectativa é de contração de 14% no mercado chinês.
Nos Estados Unidos, esforços do governo federal para limitar a expansão das renováveis e redirecionar políticas energéticas para combustíveis fósseis também contribuem para o arrefecimento.
Mercados maduros também perdem ritmo
Outros mercados consolidados, como Espanha e Brasil, enfrentam desafios semelhantes. A rápida expansão da capacidade solar nesses países resultou em maior curtailment — cortes forçados de geração — e queda nos preços da energia.
“Esses fatores começam a frear a atividade de investimentos”, avalia o relatório. A incerteza regulatória e a saturação de redes elétricas locais complicam novos projetos.
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Preços permanecem em patamares historicamente baixos
A perspectiva de demanda mais fraca, somada a “uma quantidade sem precedentes de capacidade de manufatura e estoques”, deve manter os preços da cadeia solar em níveis baixos até 2026.
O polissilício, insumo essencial para painéis fotovoltaicos, ilustra o cenário. Mesmo após alta de 50% desde junho, os preços na China seguem deprimidos diante de um segmento altamente saturado.
Fabricantes chineses sob pressão
A perspectiva é especialmente desafiadora para os produtores chineses de painéis solares. Muitos já operam com excesso de capacidade e registram prejuízos operacionais.
A consolidação do setor deve acelerar nos próximos meses. Empresas menores podem sair do mercado ou ser absorvidas por players maiores com escala e acesso a capital.
Recuperação modesta projetada para 2027
Apesar do cenário desafiador, a BNEF projeta retorno ao crescimento “modesto” já em 2027. A expectativa é que China e Estados Unidos se ajustem às novas condições de oferta e demanda.
Nesse cenário, o total de instalações globais deve alcançar 688 gigawatts em 2027. Novos mercados emergentes também podem ganhar escala e compensar parte da desaceleração nas economias maduras.
Impactos para o agronegócio e indústria em Mato Grosso
Para Mato Grosso, a desaceleração global pode ter efeitos mistos. Por um lado, preços mais baixos de equipamentos solares beneficiam produtores rurais interessados em geração própria de energia.
Por outro, a incerteza no mercado internacional pode reduzir investimentos em projetos de energia renovável no estado. Mato Grosso responde por parte relevante da demanda por energia limpa no Centro-Oeste brasileiro.
Segundo dados do Imea, o agronegócio matogrossense tem ampliado investimentos em sustentabilidade. A energia solar é uma das alternativas para reduzir custos operacionais e emissões de carbono.
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O que esperar dos próximos meses?
Analistas recomendam cautela no curto prazo, mas mantêm visão positiva para o médio e longo prazos. A transição energética segue como tendência estrutural, apesar de oscilações cíclicas.
“O setor solar está entrando em uma fase de baixo crescimento após anos de rápida expansão”, resume a BNEF. A adaptação a esse novo ritmo será crucial para players do segmento.
Serviço: O quê: Projeção de desaceleração nas instalações globais de energia solar para 2026 Local: Global, com impactos em Mato Grosso e Brasil Data: Maio de 2026 Contato: BloombergNEF – relatórios em about.bnef.com
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