Colapso no Sistema Prisional: 19 Unidades Interditadas e Lotação de 126% em Mato Grosso

Da Redação com | Portal Nortão MT
Com crescimento de 66% na população carcerária em uma década, estado enfrenta crise sem precedentes; unidades em Sorriso, Sinop e Alta Floresta estão entre as afetadas.
CUIABÁ – O sistema penitenciário de Mato Grosso atingiu o seu limite crítico neste início de 2026. Dados cruzados do SISDEPEN, Geopresídios (CNJ) e do Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelam um cenário de “asfixia” institucional: das 41 unidades penais do estado, quase metade (19) já está interditada por ordem judicial ou administrativa.
O estado, que possuía cerca de 9,6 mil detentos em 2016, saltou para 16 mil em regime fechado em março de 2026 — um crescimento explosivo de 66% em dez anos. Se somados os regimes semiaberto e monitoramento eletrônico, o Estado tutela hoje mais de 23 mil pessoas.
O Raio-X da Superlotação
Atualmente, Mato Grosso oferece 12.947 vagas, mas a conta não fecha. A taxa média de ocupação estadual é de 126%, com pontos de pressão extrema no interior:
- Barra do Garças: Lidera o ranking negativo com 167% de ocupação.
- Cidades em Alerta: Unidades em Primavera do Leste, Colniza, Pontes e Lacerda, Paranatinga, Campo Novo dos Parecis, Jaciara e Peixoto de Azevedo operam muito acima da capacidade nominal.
- Interdições Críticas: Centros de detenção em polos estratégicos como Sinop, Sorriso, Alta Floresta e Cáceres, além da Penitenciária Central do Estado (Pascoal Ramos), em Cuiabá, já sofrem restrições de novos ingressos.
O Ciclo da Reincidência
O relatório aponta que o problema não é apenas a entrada, mas a “porta giratória” do crime. A taxa de reincidência no estado chega a 41% em um período de cinco anos. Entre 2024 e 2026, o ritmo de crescimento da população prisional (17,5%) superou a média nacional, evidenciando que as políticas de ressocialização e as medidas cautelares não têm conseguido frear o encarceramento em massa.
Silêncio Oficial
Até o momento, a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) não se manifestou oficialmente sobre o plano de contingência para as unidades interditadas ou sobre a construção de novos presídios para suprir o déficit de quase 4 mil vagas imediatas.
📊 Panorama da Crise Prisional (MT – 2026)
| Indicador | Dado Estatístico | Status |
| Capacidade Total (Vagas) | 12.947 | 🔴 Insuficiente |
| População em Regime Fechado | ~16.000 | ⚠️ Superlotação |
| Total sob Custódia (Geral) | ~23.000 | 📈 Crescimento de 66% (10 anos) |
| Taxa Média de Ocupação | 126% | 🚨 Acima do limite |
| Taxa de Reincidência | 41% | 🔄 Ciclo de criminalidade |
| Unidades Interditadas | 19 de 41 | 🚫 Colapso operacional |
📍 Ranking da Superlotação por Município
Abaixo, as cidades onde o sistema opera com maior pressão, ultrapassando a média estadual:
- Barra do Garças: 167% de ocupação (A unidade mais crítica do estado).
- Primavera do Leste / Colniza: Índices severos de superlotação.
- Pontes e Lacerda / Paranatinga: Operando acima da capacidade.
- Sinop / Sorriso / Alta Floresta: Unidades interditadas devido à impossibilidade de receber novos presos.
📉 Evolução da População Carcerária (Regime Fechado)
- 2016: 9.600 detentos
- 2024: ~13.600 detentos
- 2026: 16.000 detentos
Nota Crítica: O crescimento entre 2024 e 2026 foi de 17,5%, um ritmo que supera a média de expansão de vagas e a média nacional, o que explica por que quase metade das unidades do estado precisou ser interditada pelo Judiciário.
Com informações de Nortão MT.