Colíder, MT – 21 de maio de 2026 15:59

Autor: Ozieu Alves

Agronegócios

Vinhos soterrados por enchentes no RS viram edição especial; agricultores celebram retomada após tragédia


Agricultores testam novas variedades de uva no RS
Após enfrentarem a maior catástrofe ambiental da história do Rio Grande do Sul em 2024, os viticultores da Serra Gaúcha vivem um momento de alívio e celebração.
A safra deste ano é descrita como “emblemática”, com uma produção que atingiu 905 mil toneladas — somando uvas de mesa e para a indústria —, um volume considerado acima da média, segundo dados da Emater-RS.
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A retomada, no entanto, não é apenas fruto do clima favorável, mas de uma combinação de uma alta no investimento em tecnologia e persistência por parte dos agricultores.
Vinhos soterrados
Edição especial dos vinhos da família Argenta, de Barão (RS), que ficaram soterradas durante as enchentes no Rio Grande do Sul.
Reprodução/Globo Rural
Até chegarem ao atual momento de celebração, os agricultores do Rio Grande do Sul passaram por perdas sucessivas.
O produtor Arnaldo Argenta, de Barão (RS), por exemplo, relata que sua propriedade sofreu com transbordamentos e enchentes por três anos consecutivos, entre 2023 e 2025.
Em maio de 2024, a família perdeu toda a produção que estava em processo de fermentação e teve máquinas cobertas pela lama. O prejuízo acumulado em três anos chegou a R$ 1,5 milhão.
Para seguir adiante, a família transformou a tragédia em um símbolo de resistência: das garrafas soterradas, 180 foram limpas e vendidas como a “Edição Inundação”, acompanhadas de um poema sobre a força da terra e da água.
“A gente vai levar cinco anos para voltar ao estágio em que estávamos, mas a gente tem muita resiliência e vai conseguir”, afirma Arnaldo. (veja detalhes no vídeo acima)
Poema escrito na embalagem da edição Inundação dos vinhos produzidos pela família Argenta, de Barão (RS).
Reprodução/Globo Rural
Tecnologia contra as mudanças climáticas
Para reduzir os riscos impostos pelas variações extremas do tempo, a aposta tem sido o sistema de cultivo coberto.
A técnica protege os frutos da chuva e reduz em até 90% a ocorrência de doenças fúngicas, permitindo uma irrigação direta no solo. Contudo, o custo de implantação é elevado, chegando a R$ 450 mil por hectare.
Além da proteção física, a pesquisa com novas variedades é fundamental. Em Santa Teresa, a família de João Paulo Berra mantém uma área experimental com 50 variedades de uvas europeias, como a Palava, originária da República Checa.
Essa uva é precoce, o que ajuda a escalonar a colheita e o processamento industrial, evitando a pressa excessiva nos períodos de pico.
Tradição que atravessa gerações
A viticultura na Serra Gaúcha é um legado que remonta à chegada dos imigrantes italianos em 1875. Atualmente, cerca de 15 mil famílias cultivam uva no estado, sendo que 90% da produção está concentrada na região serrana.
Para muitos, como para João Paulo Berra, a continuidade do trabalho é uma questão de “sangue nas veias”. Mesmo trabalhando na cidade, ele retorna às origens todos os anos durante a colheita para manter viva a tradição da quinta geração da família.
“A viticultura não é só uma fonte de renda, é um legado. Passa de pai para filho”, resume João Paulo.
De onde vem o vinho
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Agronegócios

Preço da carne bovina no atacado dispara 45% em dois anos e bate recorde, diz USP


Carne bovina
Foto de David Foodphototasty na Unsplash
O preço da carne bovina negociada no atacado da Grande São Paulo bateu recorde neste mês, após um aumento de 45% em dois anos.
A informação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), de Piracicaba (SP).
Segundo o órgão, neste mês, o preço médio da carcaça casada do boi — formada por traseiro, dianteiro e ponta de agulha — é R$ 25,05.
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Esse é o maior valor desde quando o Cepea iniciou o levantamento, em 2001. O preço supera em 11% o registrado no mesmo mês de 2025 e em 45% o de abril de 2024.
O pesquisador e coordenador de pecuária do Cepea, Thiago Bernardino de Carvalho, elencou dois fatores que contribuem para o aumento do valor:
menor oferta de animal pronto para o abate;
aumento de exportações.
Motivos
Segundo ele, o começo do ano — de janeiro a meados de abril — costuma ser um período em que os bovinos são mantidos no pasto, em razão das condições climáticas.
“Há uma oferta mais restrita de animal pronto para o abate. Tradicionalmente, no começo do ano, a gente tem volume de chuva, sol, em que eu tenho uma condição de pasto mais favorável”, diz.
Thiago também apontou que a demanda exterior tem aumentado, com recorde de exportações no ano passado. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o Brasil exportou 3,5 mil toneladas de carne bovina em 2025. Em 2024, foram 2,9 mil.
“Neste ano, a gente começa também a bater recorde, em janeiro, fevereiro e março e abril, sinalizando também um cenário de exportação forte.”
O pesquisador também destacou o impacto da demanda interna, impulsionada pela preferência do brasileiro pela carne bovina.
“Apesar do cenário de inadimplência do brasileiro, da preocupação em termos de gastos do orçamento familiar, o brasileiro gosta de comer carne bovina e, pelo menos até abril, vem mantendo um consumo relativamente positivo”, afirmou.
Cesta básica
Esses aumentos, no entanto, trazem um impacto para os consumidores. Segundo o Índice de Cesta Básica de Piracicaba (ICB-Esalq), de março de 2026, o preço da carne de primeira aumentou R$ 10 por quilo desde o início do ano. Passou de R$ 44,24 em janeiro para R$ 54,84 no mês passado.
“As carnes bovinas de primeira e de segunda são dois produtos que têm um peso grande no nosso cálculo da cesta básica. São dois produtos importantes”, diz Carlos Eduardo de Freitas Vian, professor do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq.
Ele apontou que o valor deve subir ainda mais nas próximas semanas. Segundo o professor, neste momento de maior alta, a tendência é as pessoas trocarem a carne bovina por outra proteína, como frango, peixe e embutidos.
“É um peso grande, mas é um peso que pode ser substituído”, afirma Carlos, que também é delegado do Conselho Regional de Economia de São Paulo em Piracicaba.
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Agronegócios

Ministro de Minas e Energia diz que aumento do teor de etanol na gasolina será discutido em maio


O ministro de Minas e Energia (MME), Alexandre Silveira, anunciou, nesta sexta-feira (24), que o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% será analisado na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), prevista para maio.
Segundo o ministro, a elevação para o chamado “E32” já conta com respaldo técnico. “Vamos submeter ao CNPE o E32, elevando o teor de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, percentual que já teve os testes aprovados quando adotamos o E30”, afirmou.
De acordo com o governo, a medida pode reduzir em cerca de 500 milhões de litros por mês a necessidade de importação de gasolina. Esse volume seria suficiente para eliminar a dependência externa do país no abastecimento do combustível, colocando o Brasil em condição de autossuficiência.
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Medida temporária
O ministro informou, ainda, que a iniciativa terá caráter excepcional e temporário, com vigência inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada por igual período mediante decisão do CNPE.
Segundo o ministério, a proposta deve melhorar a logística do setor, ao liberar infraestrutura atualmente utilizada para importação de gasolina. Isso pode aumentar a eficiência na distribuição de outros derivados, como o diesel.
Ministério vai propor aumento do teor de etanol na gasolina
Reprodução/EPTV
A proposta faz parte das diretrizes da Lei do Combustível do Futuro, marco regulatório que busca ampliar o uso de energias renováveis e reduzir emissões no setor de transportes. Em agosto de 2025, a mesma diretriz ampliou o teor de etanol na gasolina de 27,5% para os atuais 30%.
Desta vez, em particular, a mudança acontece em um momento sensível do mercado internacional de combustíveis. A guerra no Oriente Médio afetou diretamente o preço do petróleo e deixou a gasolina mais cara em todo o mundo. O governo tem adotado medidas emergenciais para conter os efeitos dessa instabilidade, incluindo redução de impostos e concessão de subsídios. A mistura de 32% será o próximo passo.
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