Colíder, MT – 21 de maio de 2026 15:41

Autor: Ozieu Alves

Agronegócios

Governo estuda exportar sobras de energia hidrelétrica à Argentina e ao Uruguai


Hidrelétrica de Furnas, em São José da Barra
Divulgação / Axia Energia
O governo pretende propor uma nova modalidade de exportação do Brasil para a Argentina e o Uruguai, baseada na venda antecipada de energia que ainda será gerada, mecanismo conhecido como “vertimento turbinável antecipado”.
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As informações constam em documentos da consulta pública aberta pelo governo nesta segunda-feira (27).
🔎 Essa modalidade permite antecipar a venda de energia que poderia ser produzida com água excedente dos reservatórios e que, sem essa medida, acabaria sendo desperdiçada.
A medida permitiria gerar receita com uma energia que hoje não é usada para atender ao consumo do país e ajudaria a aliviar o excesso de energia disponível — situação que gera prejuízos às usinas solares e eólicas e dificulta a operação do sistema elétrico nacional.
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A ideia já vinha sendo defendida por grandes geradores de energia elétrica, que vinham discutindo com o governo, nos últimos anos, formas de viabilizá-la.
O Brasil criou, em 2022, regras para exportar aos países vizinhos a geração hidrelétrica excedente com base em vertimentos “iminentes” — e não futuros, como está sendo proposto agora.
🔎 Vertimentos iminentes são sobras de água que devem ocorrer em breve. Já os vertimentos futuros são excedentes previstos para os próximos meses, com tempo para planejamento.
Essa primeira modalidade de exportação, no entanto, só foi usada em 2023, quando um período de chuvas abundantes levou as usinas hidrelétricas a abrirem seus vertedouros. Desde então, esse tipo de operação somou um benefício financeiro de R$ 788,2 milhões.
Segundo a proposta anunciada nesta segunda-feira, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) poderá autorizar a exportação antecipada pelas hidrelétricas quando houver previsão de sobra futura de água capaz de gerar energia.
Essa nova modalidade poderá ocorrer a partir da operação, pelo ONS, de usinas localizadas nos subsistemas Sul e Norte, preservando a energia de subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste, considerados essenciais para garantir o abastecimento do país.
A proposta considera dois períodos distintos ao longo do ano, definidos pelo ciclo de chuvas no Norte, que influencia o volume de geração das grandes hidrelétricas da região.
No primeiro intervalo, de junho a novembro, correspondente ao período seco no Norte, quando normalmente as hidrelétricas da região não vertem água, poderá ocorrer a exportação antecipada, desde que haja bons níveis de água nos reservatórios do Sul do país.
Já no segundo intervalo, de dezembro a maio, período mais chuvoso no Norte, a ideia é recuperar o nível de armazenamento do Sul após a exportação realizada no intervalo anterior, ampliando o uso das hidrelétricas do Norte e reduzindo a geração no Sul
A modalidade abre uma oportunidade relevante para os geradores hidrelétricos, ao permitir evitar desperdícios de recursos por falta de demanda, e também deve trazer benefícios ao sistema brasileiro e aos consumidores, afirmou Marisete Dadald Pereira, presidente da Abrage, associação que reúne grandes investidores do setor, como Axia, Engie Brasil, CTG Brasil e Auren.
Segundo ela, a entidade vinha mostrando ao governo que o Brasil já poderia ter exportado aos países vizinhos seus excedentes hidrelétricos nos últimos anos, assim como ocorreu com a energia termelétrica.
“Em um sistema cada vez mais renovável, o desafio não é só gerar energia limpa, mas evitar que ela seja desperdiçada”, disse Pereira, acrescentando que a fonte hidrelétrica costuma ser a primeira a ter sua geração reduzida pela ONS, por permitir ajustes mais rápidos no volume produzido.
A nova modalidade de exportação antecipada dependerá da adesão de geradores hidrelétricos interessados e não incluirá usinas que operam sob o regime de cotas — modelo em que a energia é destinada ao mercado regulado — nem a Itaipu Binacional. A operação será conduzida pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
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Agronegócios

Bayer apresenta recurso na Suprema Corte dos EUA em processo sobre agrotóxico glifosato


Herbicida Roundup a venda em Encinitas, Califórnia, EUA
Reuters / Mike Blake
A Suprema Corte dos Estados Unidos começou a analisar nesta segunda-feira o recurso da Bayer AG para barrar milhares de processos que acusam a empresa de não alertar consumidores de que o princípio ativo do herbicida Roundup causa câncer.
A Bayer recorreu de uma decisão de um júri em um tribunal estadual do Missouri que condenou a empresa a pagar US$ 1,25 milhão a John Durnell. Ele afirmou ter sido diagnosticado com linfoma não Hodgkin após anos de exposição ao glifosato, substância presente no Roundup.
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Paul Clement, advogado que representa a Bayer, disse aos juízes que a legislação federal que regula pesticidas impediria que ações baseadas em leis estaduais, como a movida por Durnell, avançassem na Justiça quando tratam da obrigação de advertência ao consumidor.
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A empresa alemã, que atua nos setores farmacêutico e agrícola, argumenta que a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) concluiu repetidas vezes que o glifosato não causa câncer e aprovou os rótulos do produto sem qualquer alerta desse tipo.
“Um júri do Missouri impôs uma exigência de alerta sobre câncer que a EPA não faz. Essa exigência adicional é preterida”, afirmou Clement.
Segundo ele, o Congresso deixou claro que buscava padronização nas advertências de segurança presentes nos rótulos de pesticidas.
Ignorar essa diretriz, disse o advogado, abriria espaço para uma avalanche de processos e colocaria em risco os interesses de agricultores que dependem de produtos registrados em nível federal para garantir sua renda.
De acordo com a Bayer, mais de 100 mil autores já entraram com ações em tribunais estaduais e federais nos Estados Unidos alegando relação entre o produto e o câncer. A empresa afirma que uma decisão favorável da Suprema Corte pode encerrar a maior parte dos processos envolvendo o Roundup.
Associações ligadas ao agronegócio apoiam a empresa no caso, assim como o governo do presidente republicano Donald Trump.
Do outro lado, entidades ambientais, representantes de trabalhadores rurais e grupos de saúde pública apresentaram manifestações em apoio a Durnell.
Bayer anunciou que fechou acordo pela compra da Monsanto
Marco Bello/Reuters/Arquivo; Brendan McDermid/Reuters/Arquivo
Glifosato retirado do uso doméstico
A Bayer passou a controlar o Roundup após a compra da empresa de agroquímicos Monsanto por US$ 63 bilhões, em 2018.
O volume de processos levou a companhia a retirar o glifosato da versão do produto voltada ao consumidor doméstico.
A empresa também afirmou que as ações judiciais podem comprometer sua capacidade de fornecer o herbicida aos agricultores. Causando, então, o risco de indenizações bilionárias.
A Bayer anunciou em fevereiro uma proposta de US$ 7,25 bilhões para encerrar dezenas de milhares de processos atuais e futuros. Segundo a empresa, o acordo não abrange ações que ainda estão em fase de recurso nem aquelas que ficam fora dos termos negociados, que somariam quase US$ 1 bilhão.
O centro da disputa é uma lei federal conhecida como Lei de Inseticidas, Fungicidas e Raticidas, que regula a venda e a rotulagem de pesticidas e impede que os estados imponham exigências diferentes ou adicionais às previstas em nível federal.
Essa legislação proíbe, em especial, a comercialização de produtos com rótulos considerados enganosos, quando não trazem alertas adequados para proteger a saúde e o meio ambiente.
A Bayer sustenta que as alegações feitas por Durnell não seriam válidos justamente por causa dessa lei.
A empresa afirma que a EPA aprovou repetidamente rótulos sem advertência sobre câncer, o que demonstraria que o produto não é rotulado de forma inadequada. A companhia também destaca que mudanças significativas nos rótulos dependem de autorização da agência.
Os advogados de Durnell argumentam que, mesmo com o registro do Roundup pela EPA, o rótulo ainda pode ser questionado judicialmente.
Eles afirmam que as ações não entram em conflito com a lei federal, pois a legislação do Missouri exige o mesmo princípio previsto na norma nacional: que os produtos alertem de forma adequada sobre seus riscos.
Durnell processou a Monsanto em um tribunal estadual do Missouri em 2019, alegando que a empresa falhou ao não informar os usuários sobre os perigos associados ao Roundup e ao glifosato.
Ele foi diagnosticado com uma forma rara e agressiva de linfoma não Hodgkin, um tipo de câncer que se origina nos glóbulos brancos, e atribuiu a doença à exposição ao herbicida a partir de 1996.
Por cerca de 20 anos, atuou como o responsável pela aplicação do produto em áreas verdes de um bairro de St. Louis, pulverizando o herbicida em parques locais sem o uso de equipamentos de proteção, segundo documentos do processo.
O júri deu razão a Durnell em 2023, e, em 2025, um tribunal de apelação estadual manteve a decisão.
A expectativa é que a Suprema Corte anuncie sua decisão até o fim de junho. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na semana passada indicou os riscos políticos para o governo Trump ao apoiar a Bayer.
Segundo o levantamento, 63% dos entrevistados disseram ser contrários à proteção de empresas contra processos judiciais quando elas vendem produtos que causam câncer, mesmo que haja algum tipo de aviso sobre o risco.
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Agronegócios

Mistura maior de etanol na gasolina deve elevar demanda pelo combustível em 1 bilhão de litros, diz Unica


A recente escalada nas tensões geopolíticas e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo já impactam os preços dos combustíveis no Brasil.
A recente escalada nas tensões geopolíticas e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo já impactam os preços dos combustíveis no Brasil. Levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara aponta que, embora o país não enfrente risco de desabastecimento, a alta global do petróleo e fatores internos seguem pressionando gasolina, etanol e diesel, com reflexos diretos no custo de vida. O Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara segue monitorando os dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a fim de avaliar o comportamento do preço dos combustíveis no município e no Brasil.
O aumento planejado pelo Brasil na mistura obrigatória de etanol na gasolina, de 30% para 32%, deve elevar a demanda anual de etanol anidro em cerca de 1 bilhão de litros, informou a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) nesta segunda-feira (27).
Na última sexta-feira (24), o governo brasileiro informou que o Conselho Nacional de Política Energética discutirá a proposta em sua próxima reunião, no início de maio. A decisão ocorre em um momento em que o país enfrenta custos mais altos dos combustíveis fósseis, em meio à guerra no Irã.
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O Brasil já havia ampliado a mistura de etanol de 27% para 30% em agosto do ano passado. A mudança para a chamada mistura E32 representaria um aumento de 2,4 bilhões de litros na demanda anual em comparação com o E27, de acordo com a Unica.
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“A ampliação da mistura é um caminho que o Brasil já conhece e sabe operar. O etanol permite avançar na segurança energética a partir de uma solução disponível, produzida no país e em larga escala, com ganhos relevantes também do ponto de vista ambiental, ao reduzir as emissões ao longo do ciclo de vida dos combustíveis”, disse o presidente da Unica, Evandro Gussi, em nota.
O aumento do uso de etanol reduziria a dependência das importações de gasolina e melhoraria a previsibilidade do fornecimento de combustível, segundo a Unica.
A expectativa é que uma mistura mais elevada de etanol aumente a destinação da cana-de-açúcar para a produção do biocombustível e impulsione uma expansão já forte do etanol à base de milho.
O setor já possui capacidade instalada suficiente para atender à demanda adicional, considerando tanto o etanol de cana quanto o de milho, além das novas usinas em construção, segundo a Unica.
“Somente a expansão esperada do etanol de milho seria suficiente para absorver esse aumento”, acrescentou a entidade.
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