Colíder, MT – 21 de maio de 2026 13:44

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BYD se prepara para lançar nova picape no Brasil para competir com Fiat Toro; veja modelo


BYD exibe maquete da nova picape que chega ao mercado para competir com Fiat Toro
A BYD colocou no radar do público o lançamento de uma nova picape durante a Agrishow, principal feira de tecnologia para o agronegócio do Brasil, que acontece até sexta-feira (1º) em Ribeirão Preto (SP).
Uma maquete em tamanho natural do modelo que vem sendo chamado de Mako pode ser vista no estande da montadora no evento. Ela será lançada para brigar com modelos da Fiat e da Ford.
Segundo o supervisor de comunicação da BYD Victor François, o protótipo é uma espécie de spoiler e ainda pode passar por alterações. O utilitário com caçamba terá variações que visam atender tanto o público do campo quanto da cidade.
“A ideia é que a partir da Shark, nosso showcase de caminhonetes, a gente vá desdobrando outros modelos para outros nichos de mercado, com diferentes enfoques e posicionamentos”, diz.
BYD exibe modelo da nova picape Mako, que será lançada no segundo semestre de 2026
Matheus Vinícius/g1
O lançamento amplia o leque de picapes da montadora no país. Atualmente, a BYD tem o modelo Shark, vendido a R$ 316,8 mil, segundo a tabela FIPE de 2026. Shark, em inglês, quer dizer tubarão. Mako é uma raça veloz da espécie.
De acordo com François, a Mako deve estar nas lojas com preço mais acessível. A ideia é que ela concorra com modelos como Fiat Toro e Ford Maverick, que custam a partir de R$ 159 mil nas concessionárias.
A Shark é a única do mercado das picapes que segue o formato híbrido. A previsão é que a Mako tenha a mesma característica e uma versão 4×4.
“Por enquanto, informações técnicas eu não posso abrir ainda, mas o mercado vai gostar muito do que a BYD vai lançar. A princípio, a marca só trabalha com carros elétricos e híbridos, então, seguindo a linha da Shark, a gente está falando aí de um modelo híbrido”, afirma.
BYD exibe modelo da nova picape Mako, que será lançada no segundo semestre de 2026
Matheus Vinícius/g1
François diz que a BYD estuda o modelo híbrido flex para lançamentos futuros.
A expectativa é que a Mako também seja produzida em Camaçari (BA), como o Dolphin Mini e o Song Pro.
“A princípio, a nossa fábrica na Bahia tem capacidade para produzir todos os modelos, então a gente vai estudando a aceitação de mercado. A ideia é que a gente possa produzir todos os modelos dos top sellers na Bahia, mas a princípio está no radar.”
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Matheus Vinícius/g1
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Agrishow 2026: robôs movidos a energia solar ‘moram’ no campo e combatem pragas com IA


Agrishow 2026: robôs movidos a energia solar ‘moram’ no campo e combatem pragas com IA
O avanço da tecnologia no agronegócio brasileiro já não está apenas nos tratores ou softwares de gestão. Robôs autônomos, apresentados como novidades da Agrishow, a maior feira de tecnologia agrícola do país, em Ribeirão Preto (SP), começam a ganhar espaço nas lavouras, prometendo transformar como o produtor monitora, cuida e protege suas plantações.
Entre as inovações está uma tecnologia desenvolvida com inteligência artificial e energia solar para diminuir custos com mão de obra e insumos, além de promover a sustentabilidade.
“Hoje, a gente sai de uma agricultura de precisão para uma agricultura autônoma. Nós chamamos essa máquina popularmente de robô, mas é uma Inteligência Artificial física, responsável não só por entender todo o cenário que acontece no campo, mas também agir. Essa é a grande disrupção, que é conseguir entender, analisar, tomar as melhores decisões e agir”, explica Léo Carvalho, diretor de estratégia global da Solinftec.
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Atualmente, a “família” de robôs é composta por quatro máquinas, duas lançadas na Agrishow. A tecnologia atua no cultivo de soja, milho, algodão e cana-de-açúcar.
Robô que ‘mora’ no campo promete combater pragas e reduzir custos para o produtor rural
Divulgação/Solinftec
Robô que ‘vive’ na lavoura
Diferente de máquinas tradicionais, que entram e saem da área de produção, os robôs ficam no campo 24 horas por dia, sete dias por semana. Movidos a energia solar, monitoram continuamente cada parte da lavoura e de forma remota.
Na prática, isso significa que uma área de 200 hectares pode ser analisada como se fosse dividida em 2 mil pequenos talhões, permitindo um acompanhamento detalhado e individualizado.
“Eles moram no campo. Isso permite constantemente capturar informações e atingir a necessidade em tempo real. Esse conceito traz autonomia e liberdade para o produtor para que ele possa tomar decisões mais rapidamente”, afirma Carvalho.
Essa presença constante permite identificar problemas ainda no início, como falhas no plantio, surgimento de plantas daninhas ou infestação de pragas.
Menos herbicida e mais precisão
Um dos principais ganhos da tecnologia está na redução do uso de herbicidas. Com câmeras de alta precisão e sistemas de visão computacional, os robôs conseguem diferenciar a cultura principal das plantas daninhas e aplicar o produto apenas onde é necessário.
“O produtor precisa de alguma forma conseguir produzir mais com menos insumos, menos tempo e menos gasto de energia. Os nossos robôs fazem essa aplicação localizada, reduzindo o uso de insumos de uma forma sustentável, já que hoje a sustentabilidade é um grande diferencial”, explica o diretor.
Além da economia, a prática reduz impactos ambientais, preservando a microbiologia do solo e diminuindo a pegada de carbono da produção.
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Robô que ‘mora’ no campo é uma das novidades da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).
Divulgação/Solinftec
Retorno rápido
O desenvolvimento da tecnologia levou em conta não apenas a inovação, mas também o retorno financeiro para o produtor. Além disso, a proposta é oferecer equipamentos de fácil manutenção e operação, reduzindo a dependência de assistência técnica especializada.
“A gente trabalha com a lógica de payback em até um ano ou um ano e meio. Hoje, o produtor só investe em tecnologia se ele vê resultado claro”, explica.
Com a combinação de inteligência artificial, robótica e energia limpa, a tecnologia representa um novo passo na evolução do agronegócio, que busca aumentar a produtividade sem ampliar a área plantada.
“A agricultura do futuro não depende de máquinas maiores, mas de soluções mais eficientes. O produtor está mais criterioso e busca tecnologias que realmente façam diferença no custo e na produção”, conclui Carvalho.
Agrishow 2026: Feira em Ribeirão Preto, SP, acontece até o dia 1º de maio
Érico Andrade/g1
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Crise dos fertilizantes: quase metade do adubo importado vem de países em conflito, diz relatório


Em 2025, o país importou 88% dos adubos usados nos plantios e bateu um recorde histórico, ao adquirir 45,5 milhões de toneladas no ano, aponta relatório da Cogo Inteligência em Agronegócios.
Foto de Kashif Shah
O Brasil é uma das maiores potências agrícolas do mundo, líder na produção e exportação de soja, carne bovina, café e açúcar. Ainda assim, depende fortemente de um dos principais produtos que sustentam essa atividade: os fertilizantes.
Em 2025, o país importou 88% dos adubos usados nos plantios e bateu um recorde histórico, ao adquirir 45,5 milhões de toneladas no ano. Com isso, tornou-se o maior importador mundial da matéria-prima, segundo um relatório da Cogo Inteligência em Agronegócios, elaborado por Carlos Cogo.
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Além disso, cerca de 45% dos fertilizantes importados pelo Brasil vêm de países com alta propensão à instabilidade política ou violência motivada por fatores geopolíticos, como Rússia, Bielorrússia, Irã, Nigéria, entre outros.
Um dos efeitos dessa dependência é a maior vulnerabilidade do Brasil a aumentos repentinos de preços. Um exemplo recente foi a disparada dos fertilizantes em meio à guerra no Oriente Médio, desencadeada pelo conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel.
Esse cenário deve aumentar os custos de produção da próxima safra e, mais adiante, pressionar os preços dos alimentos no Brasil. O impacto só não será imediato porque boa parte dos plantios e colheitas deste ano utilizou adubos comprados antes da guerra.
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Choque externo expõe fragilidade
A consultoria afirma que a dependência do Brasil de países em conflito deixou de ser um “risco teórico” e já se “materializou com força em episódios recentes”.
“O conflito entre Rússia e Ucrânia, iniciado em fevereiro de 2022, foi o teste mais severo da vulnerabilidade do agronegócio brasileiro até então”, diz a Cogo.
Ele relembra que, com as sanções econômicas impostas à Rússia — responsável por cerca de 23% das importações brasileiras de fertilizantes —, os preços dispararam. Naquele momento, o custo do insumo subiu para os produtores brasileiros, mas o clima favorável garantiu uma safra recorde e evitou o repasse ao consumidor.
“O conflito entre Israel e Irã trouxe um novo choque ao mercado”, destaca.
“A paralisação de fábricas iranianas de ureia — que produzem cerca de 9 milhões de toneladas por ano — e a interrupção do fornecimento de gás israelense ao Egito reduziram em aproximadamente 20% a oferta global de fertilizantes nitrogenados”, acrescenta.
Entre o início da guerra e o dia 16 de abril, o preço da ureia subiu 67%, segundo dados da StoneX Brasil.
Dependência por tipo de fertilizante
POTÁSSIO
O potássio é o nutriente com maior grau de dependência de importação, mostra o relatório da Cogo Inteligência em Agronegócios.
O Brasil produz internamente apenas cerca de 4% do que consome e importa os outros 96% de países como Canadá, Rússia e Bielorrússia. Nessa categoria, o cloreto de potássio é o principal produto importado.
➡️ O cloreto de potássio é usado nas principais culturas do país, como soja, milho, cana-de-açúcar e café, além de outras, como algodão, arroz, feijão, citros e banana. Ele fortalece as plantas, aumenta a resistência a pragas e à seca e melhora a formação de grãos e frutos.
“O Brasil possui reservas conhecidas de potássio, mas sua exploração em escala comercial ainda é limitada”, afirma o relatório.
“O caso mais emblemático é o da Mina de Autazes, no Amazonas, cujo projeto poderia suprir até 20% da demanda nacional. No entanto, o empreendimento enfrenta, há anos, um processo de licenciamento ambiental complexo, envolvendo questões relacionadas a territórios indígenas e aos impactos ambientais na região”, acrescenta.
NITROGÊNIO
A dependência de nitrogênio também é elevada, em torno de 95%. A ureia, principal fonte desse nutriente, é quase totalmente importada.
➡️ A ureia é utilizada em plantios como milho, cana-de-açúcar, trigo, arroz e café. Ela estimula o crescimento das folhas e a formação de grãos.
“A produção industrial de nitrogênio no Brasil é onerosa. O processo mais utilizado é a síntese de Haber-Bosch, que converte gás natural e nitrogênio atmosférico em amônia, base para a produção de ureia”, diz Cogo.
“O principal entrave está no custo do gás natural no país, historicamente mais elevado do que nos principais produtores, como Rússia, Estados Unidos e países do Oriente Médio, onde esse insumo energético é mais abundante e barato”, detalha.
O analista afirma que a Petrobras já operou unidades de fertilizantes nitrogenados no país, conhecidas como FAFENs (Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados). “Em 2013, a empresa vendeu essas unidades, o que levou à perda de grande parte da capacidade nacional de produção de ureia”, diz.
Em janeiro de 2026, a Petrobras anunciou a retomada das operações das FAFENs da Bahia, em Camaçari, e de Sergipe, em Laranjeiras, além de aprovar a reativação da unidade Araucária Nitrogenados (ANSA), no Paraná.
FÓSFORO
O Brasil tem uma dependência menor de fósforo, em torno de 72%.
➡️ O fósforo é usado em culturas como soja, milho, cana-de-açúcar, café e algodão. Ele estimula o desenvolvimento das raízes e garante o bom estabelecimento das plantas, especialmente nas fases iniciais do cultivo.
“O país possui reservas expressivas de rocha fosfática, concentradas principalmente em Minas Gerais, Goiás e Ceará, e as explora com relativa regularidade”, diz Cogo.
Entre os projetos de destaque está a mina de Itataia, em Santa Quitéria (CE), com reservas estimadas em 8,9 milhões de toneladas.
“Outros complexos em operação, como o da EuroChem em Serra do Salitre (MG), inaugurado em 2024 com capacidade de 1 milhão de toneladas de fertilizantes fosfatados por ano, voltadas exclusivamente ao mercado interno, indicam que o segmento de fósforo apresenta um caminho de expansão mais viável”, destaca o relatório.
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Agronegócios

Governo estuda exportar sobras de energia hidrelétrica à Argentina e ao Uruguai


Hidrelétrica de Furnas, em São José da Barra
Divulgação / Axia Energia
O governo pretende propor uma nova modalidade de exportação do Brasil para a Argentina e o Uruguai, baseada na venda antecipada de energia que ainda será gerada, mecanismo conhecido como “vertimento turbinável antecipado”.
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As informações constam em documentos da consulta pública aberta pelo governo nesta segunda-feira (27).
🔎 Essa modalidade permite antecipar a venda de energia que poderia ser produzida com água excedente dos reservatórios e que, sem essa medida, acabaria sendo desperdiçada.
A medida permitiria gerar receita com uma energia que hoje não é usada para atender ao consumo do país e ajudaria a aliviar o excesso de energia disponível — situação que gera prejuízos às usinas solares e eólicas e dificulta a operação do sistema elétrico nacional.
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A ideia já vinha sendo defendida por grandes geradores de energia elétrica, que vinham discutindo com o governo, nos últimos anos, formas de viabilizá-la.
O Brasil criou, em 2022, regras para exportar aos países vizinhos a geração hidrelétrica excedente com base em vertimentos “iminentes” — e não futuros, como está sendo proposto agora.
🔎 Vertimentos iminentes são sobras de água que devem ocorrer em breve. Já os vertimentos futuros são excedentes previstos para os próximos meses, com tempo para planejamento.
Essa primeira modalidade de exportação, no entanto, só foi usada em 2023, quando um período de chuvas abundantes levou as usinas hidrelétricas a abrirem seus vertedouros. Desde então, esse tipo de operação somou um benefício financeiro de R$ 788,2 milhões.
Segundo a proposta anunciada nesta segunda-feira, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) poderá autorizar a exportação antecipada pelas hidrelétricas quando houver previsão de sobra futura de água capaz de gerar energia.
Essa nova modalidade poderá ocorrer a partir da operação, pelo ONS, de usinas localizadas nos subsistemas Sul e Norte, preservando a energia de subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste, considerados essenciais para garantir o abastecimento do país.
A proposta considera dois períodos distintos ao longo do ano, definidos pelo ciclo de chuvas no Norte, que influencia o volume de geração das grandes hidrelétricas da região.
No primeiro intervalo, de junho a novembro, correspondente ao período seco no Norte, quando normalmente as hidrelétricas da região não vertem água, poderá ocorrer a exportação antecipada, desde que haja bons níveis de água nos reservatórios do Sul do país.
Já no segundo intervalo, de dezembro a maio, período mais chuvoso no Norte, a ideia é recuperar o nível de armazenamento do Sul após a exportação realizada no intervalo anterior, ampliando o uso das hidrelétricas do Norte e reduzindo a geração no Sul
A modalidade abre uma oportunidade relevante para os geradores hidrelétricos, ao permitir evitar desperdícios de recursos por falta de demanda, e também deve trazer benefícios ao sistema brasileiro e aos consumidores, afirmou Marisete Dadald Pereira, presidente da Abrage, associação que reúne grandes investidores do setor, como Axia, Engie Brasil, CTG Brasil e Auren.
Segundo ela, a entidade vinha mostrando ao governo que o Brasil já poderia ter exportado aos países vizinhos seus excedentes hidrelétricos nos últimos anos, assim como ocorreu com a energia termelétrica.
“Em um sistema cada vez mais renovável, o desafio não é só gerar energia limpa, mas evitar que ela seja desperdiçada”, disse Pereira, acrescentando que a fonte hidrelétrica costuma ser a primeira a ter sua geração reduzida pela ONS, por permitir ajustes mais rápidos no volume produzido.
A nova modalidade de exportação antecipada dependerá da adesão de geradores hidrelétricos interessados e não incluirá usinas que operam sob o regime de cotas — modelo em que a energia é destinada ao mercado regulado — nem a Itaipu Binacional. A operação será conduzida pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
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Mistura maior de etanol na gasolina deve elevar demanda pelo combustível em 1 bilhão de litros, diz Unica


A recente escalada nas tensões geopolíticas e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo já impactam os preços dos combustíveis no Brasil.
A recente escalada nas tensões geopolíticas e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo já impactam os preços dos combustíveis no Brasil. Levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara aponta que, embora o país não enfrente risco de desabastecimento, a alta global do petróleo e fatores internos seguem pressionando gasolina, etanol e diesel, com reflexos diretos no custo de vida. O Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara segue monitorando os dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a fim de avaliar o comportamento do preço dos combustíveis no município e no Brasil.
O aumento planejado pelo Brasil na mistura obrigatória de etanol na gasolina, de 30% para 32%, deve elevar a demanda anual de etanol anidro em cerca de 1 bilhão de litros, informou a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) nesta segunda-feira (27).
Na última sexta-feira (24), o governo brasileiro informou que o Conselho Nacional de Política Energética discutirá a proposta em sua próxima reunião, no início de maio. A decisão ocorre em um momento em que o país enfrenta custos mais altos dos combustíveis fósseis, em meio à guerra no Irã.
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O Brasil já havia ampliado a mistura de etanol de 27% para 30% em agosto do ano passado. A mudança para a chamada mistura E32 representaria um aumento de 2,4 bilhões de litros na demanda anual em comparação com o E27, de acordo com a Unica.
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“A ampliação da mistura é um caminho que o Brasil já conhece e sabe operar. O etanol permite avançar na segurança energética a partir de uma solução disponível, produzida no país e em larga escala, com ganhos relevantes também do ponto de vista ambiental, ao reduzir as emissões ao longo do ciclo de vida dos combustíveis”, disse o presidente da Unica, Evandro Gussi, em nota.
O aumento do uso de etanol reduziria a dependência das importações de gasolina e melhoraria a previsibilidade do fornecimento de combustível, segundo a Unica.
A expectativa é que uma mistura mais elevada de etanol aumente a destinação da cana-de-açúcar para a produção do biocombustível e impulsione uma expansão já forte do etanol à base de milho.
O setor já possui capacidade instalada suficiente para atender à demanda adicional, considerando tanto o etanol de cana quanto o de milho, além das novas usinas em construção, segundo a Unica.
“Somente a expansão esperada do etanol de milho seria suficiente para absorver esse aumento”, acrescentou a entidade.
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Bayer apresenta recurso na Suprema Corte dos EUA em processo sobre agrotóxico glifosato


Herbicida Roundup a venda em Encinitas, Califórnia, EUA
Reuters / Mike Blake
A Suprema Corte dos Estados Unidos começou a analisar nesta segunda-feira o recurso da Bayer AG para barrar milhares de processos que acusam a empresa de não alertar consumidores de que o princípio ativo do herbicida Roundup causa câncer.
A Bayer recorreu de uma decisão de um júri em um tribunal estadual do Missouri que condenou a empresa a pagar US$ 1,25 milhão a John Durnell. Ele afirmou ter sido diagnosticado com linfoma não Hodgkin após anos de exposição ao glifosato, substância presente no Roundup.
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Paul Clement, advogado que representa a Bayer, disse aos juízes que a legislação federal que regula pesticidas impediria que ações baseadas em leis estaduais, como a movida por Durnell, avançassem na Justiça quando tratam da obrigação de advertência ao consumidor.
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A empresa alemã, que atua nos setores farmacêutico e agrícola, argumenta que a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) concluiu repetidas vezes que o glifosato não causa câncer e aprovou os rótulos do produto sem qualquer alerta desse tipo.
“Um júri do Missouri impôs uma exigência de alerta sobre câncer que a EPA não faz. Essa exigência adicional é preterida”, afirmou Clement.
Segundo ele, o Congresso deixou claro que buscava padronização nas advertências de segurança presentes nos rótulos de pesticidas.
Ignorar essa diretriz, disse o advogado, abriria espaço para uma avalanche de processos e colocaria em risco os interesses de agricultores que dependem de produtos registrados em nível federal para garantir sua renda.
De acordo com a Bayer, mais de 100 mil autores já entraram com ações em tribunais estaduais e federais nos Estados Unidos alegando relação entre o produto e o câncer. A empresa afirma que uma decisão favorável da Suprema Corte pode encerrar a maior parte dos processos envolvendo o Roundup.
Associações ligadas ao agronegócio apoiam a empresa no caso, assim como o governo do presidente republicano Donald Trump.
Do outro lado, entidades ambientais, representantes de trabalhadores rurais e grupos de saúde pública apresentaram manifestações em apoio a Durnell.
Bayer anunciou que fechou acordo pela compra da Monsanto
Marco Bello/Reuters/Arquivo; Brendan McDermid/Reuters/Arquivo
Glifosato retirado do uso doméstico
A Bayer passou a controlar o Roundup após a compra da empresa de agroquímicos Monsanto por US$ 63 bilhões, em 2018.
O volume de processos levou a companhia a retirar o glifosato da versão do produto voltada ao consumidor doméstico.
A empresa também afirmou que as ações judiciais podem comprometer sua capacidade de fornecer o herbicida aos agricultores. Causando, então, o risco de indenizações bilionárias.
A Bayer anunciou em fevereiro uma proposta de US$ 7,25 bilhões para encerrar dezenas de milhares de processos atuais e futuros. Segundo a empresa, o acordo não abrange ações que ainda estão em fase de recurso nem aquelas que ficam fora dos termos negociados, que somariam quase US$ 1 bilhão.
O centro da disputa é uma lei federal conhecida como Lei de Inseticidas, Fungicidas e Raticidas, que regula a venda e a rotulagem de pesticidas e impede que os estados imponham exigências diferentes ou adicionais às previstas em nível federal.
Essa legislação proíbe, em especial, a comercialização de produtos com rótulos considerados enganosos, quando não trazem alertas adequados para proteger a saúde e o meio ambiente.
A Bayer sustenta que as alegações feitas por Durnell não seriam válidos justamente por causa dessa lei.
A empresa afirma que a EPA aprovou repetidamente rótulos sem advertência sobre câncer, o que demonstraria que o produto não é rotulado de forma inadequada. A companhia também destaca que mudanças significativas nos rótulos dependem de autorização da agência.
Os advogados de Durnell argumentam que, mesmo com o registro do Roundup pela EPA, o rótulo ainda pode ser questionado judicialmente.
Eles afirmam que as ações não entram em conflito com a lei federal, pois a legislação do Missouri exige o mesmo princípio previsto na norma nacional: que os produtos alertem de forma adequada sobre seus riscos.
Durnell processou a Monsanto em um tribunal estadual do Missouri em 2019, alegando que a empresa falhou ao não informar os usuários sobre os perigos associados ao Roundup e ao glifosato.
Ele foi diagnosticado com uma forma rara e agressiva de linfoma não Hodgkin, um tipo de câncer que se origina nos glóbulos brancos, e atribuiu a doença à exposição ao herbicida a partir de 1996.
Por cerca de 20 anos, atuou como o responsável pela aplicação do produto em áreas verdes de um bairro de St. Louis, pulverizando o herbicida em parques locais sem o uso de equipamentos de proteção, segundo documentos do processo.
O júri deu razão a Durnell em 2023, e, em 2025, um tribunal de apelação estadual manteve a decisão.
A expectativa é que a Suprema Corte anuncie sua decisão até o fim de junho. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na semana passada indicou os riscos políticos para o governo Trump ao apoiar a Bayer.
Segundo o levantamento, 63% dos entrevistados disseram ser contrários à proteção de empresas contra processos judiciais quando elas vendem produtos que causam câncer, mesmo que haja algum tipo de aviso sobre o risco.
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